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id da página: 7060 Tao Te Ching 38 Lao-Tzu

Tao Te Ching 38

Tao Te Ching XXXVIII


VEJA: TAO TE CHING XXXVIII

O Mestre não tenta ser poderoso;
assim é verdadeiramente poderoso.
O homem ordinário fica tentando alcançar poder;
assim nunca tem o suficiente.
O Mestre nada faz,
no entanto nada deixa por fazer.
O homem ordinário está sempre fazendo coisas,
no entanto muitas mais estão por fazer.
O homem gentil faz algo,
no entanto algo permanece não feito.
O homem justo faz algo,
e deixa muitas coisas por fazer.
O homem moral faz algo,
e quando ninguém responde dobra suas mangas e usa força.
Quando o Tao é perdido, há bondade.
Quando a bondade é perdida, há moralidade.
Quando a moralidade é perdida, há o ritual.
O ritual é a casca da verdadeira fé, o começo do caos.
Assim o Mestre preocupa-se com as profundezas e não a superfície,
com o fruto e não a flor.
Não tem vontade própria dele.
Mora na realidade, e deixa de lado todas as ilusões.


Léon Wieger (tr. Antonio Carneiro)

A. O que é superior à Virtude do Princípio (o Princípio ele mesmo considerado em sua essência), não age, mas conserva em si a Virtude no estado de imanência. Tudo o que é inferior à Virtude do Princípio (as regras de conduta artificiais), não é senão um paliativo à perda da Virtude; paliativo que não tem nada em comum com ela.

B. O que é superior à Virtude (o Princípio), não age em detalhe. O que é inferior à Virtude as regras artificiais), não existe senão para a ação em detalhe.

C. O que está acima da bondade (artificial confuciana, o Princípio) não age em detalhe. O que está acima da equidade (artificial, a bondade) age em detalhe. O que está acima dos ritos (a equidade) luta com as tendências dos diversos seres, donde os ritos e as leis.

Em outros termos, após o esquecimento da natureza com seus instintos naturais bons, vieram os princípios artificiais paliativos desse deficit; os quais são, em ordem descendente, a bondade, a equidade, os ritos et as leis.

Sim, os ritos não são senão um pobre expediente para cobrir a perda da retidão e da franqueza originais. São fonte de problemas (etiqueta, regras) em vez de ordem.

Enfim o último termo desta evolução descendente, a sabedoria política, foi o começo de todos os abusos.

D. O homem verdadeiramente homem, se apoia na retidão e no bom senso naturais, desprezando os princípios artificiais. Usando de discernimento, rejeita aquilo (o falso), para abraçar isto (o verdadeiro).


Uma grande virtude não é a virtude; mas assim ser, eis vir a virtude. Uma virtude medíocre não é a ausência de virtude; mas assim ser, eis partir virtude. Uma grande virtude não se manifesta, porque não quer se manifestar; uma virtude medíocre se manifesta porque quer se manifestar. Em seguida o homem manifesta uma grande piedade (humanidade), sem se dar conta; em seguida manifesta uma grande equidade, e tem a se dar conta; em seguida manifesta uma grande generosidade (solidariedade e convenções), mas não lhe serve mais, e alivia os outros. Perdida a Via, ele guarda a virtude; perdida a virtude, ele guarda a piedade; perdida a piedade, ele guarda a equidade; perdida a equidade, ele guarda os ritos (generosidade, solidariedade, convenções). Essa aí, mesmo pequena, é verdadeiramente o começo do mal. Eis o que sabem desde muito tempo os homens que conhecem a Via; eles conheceram isso em primeiro lugar. Também o Sábio se atém ao Absoluto, nunca ao contingente; permanece no princípio, e se afasta do efeito. Ele negligencia esta coisa aqui e conserva aquela aí.

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